Fundo Darby busca ativos de energia renovável no Brasil

O fundo de private equity montou uma joint venture com a geradora brasileira Servtec e avaliam oportunidades de aquisição para iniciar os investimentos

Energia renovável: no futuro, as empresas pretendem participar de licitações para novas usinas (anyaivanova/Thinkstock)
Energia renovável: no futuro, as empresas pretendem participar de licitações para novas usinas (anyaivanova/Thinkstock)

São Paulo – O fundo norte-americano de private equity Darby, da Franklin Templeton Investments, associou-se à geradora brasileira Servtec para buscar oportunidades em energia renovável no Brasil, principalmente ativos eólicos e solares, disse à Reuters o presidente da Servtec.

As empresas montaram uma joint venture e agora avaliam oportunidades de aquisição para iniciar os investimentos, principalmente devido à incerteza que ainda existe em torno da realização de novos leilões para contratar novas usinas de energia no Brasil em meio à recessão, que impactou a demanda por eletricidade.

“Estamos junto com a Darby buscando oportunidades de investimento em projetos eólicos e solares, pequenas hidrelétricas e biomassa, mas eu diria que com foco maior em eólica e solar… existem alguns projetos já operacionais que são bem atrativos”, disse à Reuters o CEO da Servtec, Pedro Fiuza.

Ele afirmou que as empresas têm olhado tanto ativos de grande porte quanto usinas menores, e que a crise política do Brasil incomoda, mas não irá frear os planos de expansão.

“O momento que o Brasil vem vivendo, a gente tem que ser cauteloso… mas, dito isso, a gente consegue ser bem competitivo… não posso precisar exatamente, mas ao longo dos próximos dois, três anos, vamos estar fazendo investimentos superiores a 1 bilhão de reais”, apontou.

Ele disse que a ideia é unir a capacidade financeira da Darby e seu relacionamento com investidores institucionais internacionais à expertise técnica da Servtec, que já implementou cerca de 850 megawatts em projetos de geração de energia no Brasil.

“A gente tem uma capacidade de ser bem competitivo nas ofertas de compra, de competir com os grandes consolidadores do mercado”, garantiu.

Fiuza disse ainda que Servtec e Darby poderão agregar novos parceiros nas aquisições que forem ser realizadas, que seriam principalmente investidores institucionais, como fundos.

“Já temos uma porção desses investidores mapeados, e conversamos caso a caso, a cada transação, para estruturar… os estrangeiros têm um apetite diferenciado por esse tipo de geração, renovável”, afirmou.

A primeira aquisição da joint venture entre as empresas pode ser anunciada ainda neste ano, segundo Fiuza, que afirmou que há negociações em andamento.

No futuro, as empresas pretendem também participar de licitações do governo para novas usinas de energia.

A Servtec possui cerca de 600 megawatts em projetos eólicos prontos para serem inscritos em leilões e outros 600 megawatts em desenvolvimento.

“Quando o mercado voltar a ficar mais favorável, a gente vai estar participando”, disse.

O mercado de energia renovável no Brasil tem atraído investidores internacionais apesar da crise no país.

Na semana passada, a francesa EDF comprou uma fatia majoritária em uma usina solar no país. Em maio, a gestora britânica Actis anunciou a aquisição de parques eólicos para criar uma nova empresa no Brasil, a EchoEnergia.

 

Fonte: EXAME

Recorde de renováveis ainda não dá conta do desafio climático

Apesar do crescimento, a transição energética não está acontecendo rápido o suficiente para atingir as metas do Acordo de Paris

Poluição saindo de uma fábrica ao fundo de uma turbina eólica. (Christopher Furlong/Getty Images)
Poluição saindo de uma fábrica ao fundo de uma turbina eólica. (Christopher Furlong/Getty Images)

São Paulo – As fontes renováveis estão mudando o tabuleiro energético mundial. O ano de 2016 foi recorde: a capacidade de geração a partir das energias renováveis registrou o maior aumento da história, com 161 gigawatts (GW) instalados, um aumento de 9% em relação a 2015, levando a capacidade global total para aproximadamente 2.017 GW.

A energia solar fotovoltaica contribuiu com cerca de 47% da capacidade adicional no ano passado, seguida pela energia eólica com 34% e pela energia hidroelétrica com 15,5%.

Os dados são da edição 2017 do estudo REN21 Renewable Energy Global Status Report, relatório de referência para o setor lançado neste mês, que fornece o panorama anual mais abrangente da situação desse mercado no mundo.

Segundo o estudo, as emissões globais de CO2 relacionadas com o setor energético provenientes dos combustíveis fósseis e da indústria permaneceram estáveis pelo terceiro ano consecutivo, apesar do crescimento de 3% na economia mundial e da procura crescente por energia.

Os analistas atribuem esse processo principalmente ao declínio do carvão, mas também ao crescimento da capacidade de energia renovável e das melhorias na eficiência energética.

Ritmo insuficiente

Apesar da tendência positiva, a transição energética não está acontecendo rápido o suficiente para atingir as metas do Acordo de Paris e,  com a saída dos Estados Unidos do pacto, as perspectivas para o setor preocupam.

No ano passado, os investimentos em novas instalações de energia renovável caíram 23% face a 2015. A maior baixa foi sentida nos mercados em desenvolvimento e emergentes, onde o investimento em energia renovável caiu 30%, para 116 bilhões de dólares.

Nos países desenvolvidos, o investimento em novas instalações caiu 14% para 125 bilhões de dólares. O investimento continua a ser fortemente focado nas energias eólica e solar fotovoltaica, no entanto, o estudo defende que todas as tecnologias de energia renovável precisam ser utilizadas para manter oaquecimento global abaixo dos 2ºC até o fim do século.

Segundo o relatório, é preciso maior compromisso dos setores de transportes, aquecimento e refrigeração, que ainda dependem, em muito, de combustíveis fósseis, como carvão e petróleo.

Um entrave são os subsídios às fontes poluentes, que continuam a superar dramaticamente os das tecnologias renováveis, ao lado dos subsídios à energia nuclear.

No final de 2016, mais de 50 países comprometeram-se a eliminar gradualmente os subsídios aos combustíveis fósseis, e algumas reformas ocorreram, mas não o suficiente para dar conta do desafio climático.

 

Fonte: EXAME

Primeiros geradores de energia eólica de SP já estão operando

Os dois geradores estão instalados dentro da área pertencente a Usina Engenheiro Sérgio Motta, conhecida também como Porto Primavera

Torres de Energia Eólica
Torres de Energia Eólica

Os dois primeiros geradores de energia eólica do estado de São Paulo foram colocados em operação no dia 09 de Junho no município de Rosana (SP), região de Presidente Prudente (distante 58 quilômetros da capital paulista).

Eles estão instalados dentro da área pertencente a Usina Engenheiro Sérgio Motta, conhecida também como Porto Primavera.

Em um primeiro momento, serão feitos testes elétricos e mecânicos, que devem durar cerca de 20 dias.

Quando em funcionamento, os equipamentos vão produzir aproximadamente 620 megawatts-hora (MWh) por ano, energia que será utilizada no consumo interno da usina Porto Primavera.

“A implantação de centrais fotovoltaicas e eólicas junto a usinas hidrelétricas existentes apresenta vantagens devido ao espaço físico e infraestrutura de transmissão no local, o que pode propiciar uma redução significativa no custo da energia gerada”, disse o subsecretário de Energias Renováveis, Antonio Celso de Abreu Junior.

Os geradores eólicos fazem parte de um programa de pesquisa e desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que pretende estudar a complementaridade energética das fontes solar, eólica e hidráulica.

As torres, que têm 30 metros de altura e pás de 10 metros de comprimento, foram desenvolvidas pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp), com o apoio da Secretaria Estadual de Energia e Mineração.

O projeto de uso complementar das energias solar e eólica à energia hidrelétrica tem sua conclusão prevista para agosto de 2018 a um custo estimado de R$ 31 milhões.

Também na área de Porto Primavera, desde o final de 2016, já está em operação a primeira usina fotovoltaica do Brasil a utilizar a tecnologia de placas flexíveis e rígidas em sistema flutuante.

 

Fonte: EXAME